Quem avalia projetos em humanas e ciências sociais lê dezenas de propostas de uma só vez. O que separa um projeto financiável de um esquecível muitas vezes não é a prosa, mas se o avaliador capta a lógica do projeto num único relance. Esse relance quase sempre recai sobre uma figura: um diagrama de quadro de pesquisa, um roteiro técnico ou um quadro conceitual. Quando essas figuras são claras, o leitor confia que o raciocínio por trás delas também é.
Este guia é escrito para candidatos de humanas e ciências sociais — sociologia, educação, ciência política, história, comunicação, economia, psicologia — e não para laboratórios de ciências exatas. O raciocínio é o mesmo, mas os objetos diferem: suas «amostras» são casos, coortes ou corpora; seus «instrumentos» são entrevistas e questionários; e suas afirmações causais são teóricas, não físicas. A figura precisa sustentar tudo isso.

Três figuras que toda proposta precisa
A maioria das propostas competitivas em ciências sociais se apoia em três diagramas distintos. Eles não são intercambiáveis, e os avaliadores esperam que cada um cumpra uma função diferente.
- Diagrama de quadro de pesquisa: a lógica de mais alto nível de todo o projeto: sua pergunta de pesquisa, as dimensões em que você a decompõe, as teorias que iluminam cada dimensão e como as partes se juntam em um argumento. É o mapa do seu pensar.
- Roteiro técnico: a sequência do trabalho no tempo: fases, métodos, coleta de dados, análise e produtos, na ordem em que ocorrem. É o mapa do seu fazer. Para um primeiro rascunho rápido, descreva suas fases em linguagem simples ao gerador de roteiro de pesquisa e refine o layout que ele produzir.
- Quadro conceitual: as relações entre seus construtos-chave: variáveis independentes, mediadoras, moderadoras e desfechos; ou, na pesquisa qualitativa, os temas e seus vínculos teóricos. É o mapa das suas afirmações.
Uma proposta sólida usa ao menos os dois primeiros; uma teoricamente ambiciosa, os três.




